Entrevista Mariluz: Um hospital com hospitalidade

De lugar frio e sem vida para um lugar aconchegante e belo. Foi-se o tempo em que um hospital era feito de paredes brancas e leitos que não sabiam o significado da palavra hospitalidade. As construções atuais unem tecnologia e segurança com layouts agradáveis ao olhar, funcionais, quartos confortáveis e humanizados. De pacientes, hoje temos clientes de saúde que olham não apenas a competência técnica do médico como também o local em que são atendidos. Como em qualquer outro negócio, há concorrência e, dentro de um mercado competitivo, as mudanças – para melhor – nascem. Atuando na área da gestão e arquitetura hospitalar há 25 anos, a arquiteta Mariluz Gomez Esteves, diretora da Pró-Saúde, fala sobre as mudanças e tendências da arquitetura hospitalar nesta entrevista.

Mariluz, quando se fala em arquitetura, a beleza da construção é uma das primeiras coisas que vem à cabeça. Mas em se tratando de saúde, é preciso pensar em outros fatores primordiais, como funcionalidade e segurança. É possível unir tudo isto e um centro de saúde? 
Não apenas é possível, é indispensável. O hospital enquanto edifício tem que funcionar bem, ajudar para que os processos assistenciais e de apoio ocorram de forma adequada. Se tudo que é edifício e infraestrutura funcionar adequadamente, a equipe assistencial (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, técnicos e tecnólogos das várias áreas, etc.) vai trabalhar melhor.

É importante pensar em construções e ambientes que não tenham “cara de hospital”? Esta é uma tendência?
Acho que isso já foi importante, quando tudo era branco ou cinza, sombrio e feio! Não se faz mais hospitais assim, o que restou está sendo melhorado, a tendência é que sobrem poucos hospitais com a tal “cara de hospital”, estamos estabelecendo uma nova cara de hospital.

A palavra humanização ganhou força nos últimos anos na área da saúde. Como a arquitetura hospitalar auxilia neste atendimento?
Humanização e hospitalidade é tarefa das pessoas, da equipe assistencial e de atendimento. O importante é que o atendimento seja humanizado, os pacientes sejam chamados pelos seus nomes, tratados com respeito, informados do que vai acontecer ou do que está acontecendo, se sentirem seguros.
O hospital é apenas o cenário, obviamente é bom que o cenário ajude. Desta forma, como falado anteriormente, tudo o que é edifício e infraestrutura tem que funcionar adequadamente, discretamente. Gosto de falar dos “duendes” do Harry Poter que fazem tudo funcionar em Hogwarts e ninguém nunca os vê! Quando falo em funcionar vai além de você ligar um equipamento e ele funcionar. Os ambientes devem ser bem iluminados, bonitos na medida certa, os jardins devem estar floridos, os móveis devem ser confortáveis e suficientes para todos, as pessoas devem se sentir acolhidas e seguras. Para a equipe assistencial, sentir-se seguro e não precisar brigar para que algo seja consertado é fundamental, a preservação do bom humor é indispensável para a realização de uma tarefa com simpatia e cordialidade.

Quando um projeto de um hospital, ou centro de saúde, vai nascer, como acontece este processo? Que itens são levados me consideração?
Um hospital nasce de um modelo de assistência. Sem saber o que se pretende com o novo hospital enquanto assistência, não é possível iniciar qualquer desenho, ou qualquer desenho serve! Como respondeu o mestre gato para Alice “se não sabe onde quer ir, não importa que caminho tomar!”

Hospitais antigos podem se modernizar? O que ganham com isto?
Hospitais devem se modernizar, se não o fizerem não ficarão no mercado! Tudo mudou na edificação hospitalar, especialmente as instalações elétricas, de lógica, de automação, de prevenção e combate a incêndio, etc.. Imagine um hospital no qual foram sendo instalados equipamentos de grande porte como uma tomografia e tantos outros que aparecem a cada novo ano e este hospital continua com a mesma entrada de energia, o mesmo gerador, sabe o que vai acontecer, os disjuntores vão cair, as pessoas vão perder o que estavam fazendo, os pacientes monitorados ficarão sem monitoramento! Simples assim, ou moderniza ou ficará fora do mercado!

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